Temos todos de percorrer um novo caminho no futsal
O meu artigo tem um pouco a ver com a discussão causada pelas convocatórias para as seleções nacionais jovens nas redes sociais. Todos sabemos que esse meio de comunicação é gerador de consensos, mas também de contrariedade.
A escolha do título para este artigo tem um pouco a ver com as mudanças geradas e verificadas após a entrada em vigor do “PEF: Plano Estratégico para o Futsal”.

A FPF apostou, desde o ano 2012 em aumentar o número de praticantes na modalidade: conseguiu.
A FPF apostou na organização e estruturamento dos campeonatos distritais de formação: conseguiu.
Mas, a meu ver, quer num ponto, quer no outro, apostou sim, e bem, na quantidade (nos números de praticantes e campeonatos), mas não na qualidade. Um jogador de futsal não sai valorizado apenas porque são criados campeonatos, ou por outro lado, porque terá mais equipas e jogadores a defrontar.
A qualidade implica assegurar a continuidade da atividade desportiva regular do atleta em todos os escalões de formação e o seu crescimento nos diferentes e sucessivos níveis de jogo, tornando-se a Seleção a máxima referencia de todos os bons jogadores.
Um jogador de futsal sai valorizado pela evolução que vai tendo a partir da formação. Um jogador de futsal sai valorizado quando sabe que tem tantas hipóteses de chegar a uma seleção nacional, como todos os outos jogadores. Mas o erro que é apontado para a convocação ou não do jogador “x”, “y” ou “z” para a nossa seleção sénior, já segue os mesmos tramites para as seleções mais jovens.
Em Portugal, temos um sério caso, porque apenas olhamos por um lado, aos clubes profissionais na vertente de seniores. Já na formação, olhamos simplesmente para além dos clubes anteriormente referidos, para as seleções distritais que vão tendo resultados. Então e o resto? Só conta para a estatística?
Todos os Treinadores, sejam eles da formação ou de seniores, gostam de ver o fruto do seu trabalho valorizado: os jogadores. Mas estes só saem valorizados quando são reconhecidos pelas suas convocatórias para as seleções nacionais. Porque, caso contrário, continuam apenas a ser valorizados pelos seus treinadores nos clubes que representam.
O centro, o fundamento e o reconhecimento do trabalho do Treinador, é o Praticante/atleta/jogado. É legitimo que os bons Treinadores queiram ver reconhecido a competência e o mérito dos seus melhores jogadores.
Em causa está a discussão da convocatória para a Seleção Nacional de Futsal Sub-17 que irá realizar dois jogos amigáveis com Espanha nos próximos dias 14 e 15 de fevereiro. Em 14 atletas convocados estão representantes das seguintes associações distritais: AF Lisboa (7), AF Porto (4), AF Braga (1), AF Viseu (1) e AF Coimbra (1). Dos clubes pertencentes a essas associações estão representados os seguintes: Sporting CP, SL Benfica, ADCR Caxinas Poça Barca, AM Granja, ADCN Tenões, ABC Nelas e CS São João. Se perguntarem aos Treinadores dessas equipas e Selecionadores Distritais, todos eles vão dizer que gostavam de ter mais jogadores a ser convocados, óbvio.
Mas onde ficam todos os outros jogadores? Os representantes da AF Bragança, da AF Vila Real, da AF Viana do Castelo, da AF Aveiro, AF Madeira, AF Açores (Angra do Heroísmo e Ponta Delgada), AF Algarve, AF Portalegre, AF Évora, AF Setúbal, AF Castelo Branco, AF Guarda, etc…
Onde estão os representantes do SP Moncorvo, do Montalegre, do Sernancelhe, do Mogadouro, do Beira Mar, do AST Futsal, do Braga, do Unidos Pinheirense, do Burinhosa, de Os Patos, do GD Mata, do GD EB D. João I, etc…
Se em relação às Associações Distritais os resultados desportivos serão o reflexo da não convocação de jogadores para as seleções nacionais, já no que concerne aos clubes, os resultados desportivos serão sempre o reflexo dos mesmos e nunca deverão ser resultados mascarados. Acredito ainda que a não convocação de jogadores de um determinado clube para a seleção nacional tenha mesmo a ver com a própria não convocação dos mesmos para a seleção distrital…, mas continuo a dizer: não podemos ter dois pesos e duas medidas. Este é o exemplo de uma equipa que este ano está em alta no campeonato da AF Porto e que se sente prejudicada pela não valorização dos seus jogadores.
Mas tendo em conta o título do artigo, tendo referido o “PEF” que terminou no passado mês de dezembro, acrescento um outro exemplo. Não dentro desta categoria, sub-17, mas sim para as categorias superiores, sub-19, sub-20 e sub-21.
Uma equipa de uma associação do interior norte que foi campeã distrital na época 2015-16 com 12 pontos de avanço sobre o 2º classificado, que conquistou a taça distrital, que marcou 194 golos, sofreu 38, que chegou à 2ª Fase da Taça Nacional de Juniores A, também e, tal como agora como essa equipa pertencente à AF Porto, tem queixas da não valorização dos jogadores que fizeram história naquele clube do interior.
O “PEF” entra aqui e após este exemplo, simplesmente por uma questão: organizaram-se campeonatos de formação em associações que não era usual (sim senhora, excelente); reorganizaram-se modelos competitivos nacionais nos seniores (extinguiu-se a 3ª divisão, um erro lastimável; ficou o acesso à 2ª divisão mais facilitado aos clubes das distritais e ficou muito mais difícil o acesso à liga sportzone), e aumentou-se o número de praticantes (que era o ponto desejável).
E agora pergunto eu: alguém sabe ou procurou saber (dos altos responsáveis da FPF), dentro do exemplo que referi atrás, quantos jogadores que conseguiram aquelas marcas estonteantes para um clube de futsal do interior, chegaram à equipa sénior? Quantos jogadores jogam este ano numa 2ª divisão nacional? E porque na época passada, com todas aquelas marcas e êxitos, nenhum conseguiu ser chamado à seleção nacional de sub-19 ou sub-21?
Porque simplesmente não interessa. Somos um clube do interior norte, que está na 2ª divisão nacional, que muito dificilmente conseguirá o acesso à liga sportzone nos moldes em que o modelo competitivo está inserido e que não temos resultados nenhuns a nível das seleções distritais. Mas um, dois ou mais jogadores terão de pagar a fatura de não ser convocados para uma seleção nacional pelo fato de na sua seleção distrital não ter resultados? Onde fica a valorização desses jogadores?
A única razão é dada pelo desconhecimento de causa. Não existe trabalho de casa, nem dos selecionadores distritais e muito menos dos selecionadores nacionais. O trabalho do Selecionador Distrital abrange um nº de clubes restrito. O de Selecionador Nacional abrange todos os clubes. Haverá razão para tantas queixas? Sim, sem dúvida. Quantos exemplos não existirão iguais ao relatado por este país e ilhas fora.
O grande problema é que as Seleções Nacionais só se lembram que existem algumas zonas do nosso País, quando descentralizam os jogos das mesmas e realizam a valorização do trabalho dos mesmos.
Termino tal como iniciei este meu artigo: todos temos de percorrer um novo caminho no futsal.

Futsal Porto Distrital

Copyright © 2016. All Rights Reserved.