GD Boticas.... acho que eu e o clube ganhamos muito
Na primeira entrevista após a remodelação do portal, Fernando Parente entrevista um jogador que já comandou, Lincon Neto.
Lincon fala do seu percurso desde que ingressou no solo luso e fala de entre muitas coisas da selecção, onde diz estar triste não por não a ter representado (embora considere que podia ser uma escolha), mas sim por outro motivo, saiba qual...

O fixo brasileiro de trinta e um anos chegou a Portugal na época 2005/2006 para o GD Boticas, clube que representou durante seis épocas com um pequeno interregno na época 2007/2008 que representou a AAUTAD/REALFUT, após seis épocas no clube vila-realense, na primeira época conheceu dois clubes (CF Os Belenenses e AD Fundão) e desde então tem conhecido um clube por época, SL Olivais, em 2013/2014 fez uma incursão pela Liga espanhola onde representou o Colegios Arena, regressa a Portugal na época seguinte onde representou o Rio Ave FC e vai para a segunda época no ADC Gualtar/Meltino e onde termina a relação de um clube por época.
Fique com a entrevista de Fernando Parente a Lincon Neto.
Fernando Parente [FP]: Lincon, o teu percurso inicial no Futsal em Portugal, está ligado a clubes da nossa Região, como Boticas e AAUTAD/Realfut. Como foi a transição do futsal brasileiro para o português?
Lincon Neto [LN]: Na verdade não foi muito fácil, vim de uma realidade muito distinta, no Brasil jogava numa das melhores ligas de futsal do mundo e vim jogar para uma 3ª Divisão.
FP: Tu, tendo vivido alguns anos em Chaves, terra onde já houve, tal como em Vila Real, muitas equipas que entretanto se extinguiram (AAUTAD, Boticas, Pontauto, Chaves Futsal, Mundo da Música Flaviense), como vês o desaparecimento de clubes na nossa região, principalmente nessas localidades e fora do contexto nacional da modalidade?
LN: Vejo com muita tristeza, acredito que na “nossa” região existem grandes talentos, precisam de tempo e equipas nos nacionais para que esses talentos comecem a dar frutos.
FP: Estiveste ligado a dois clubes, que terminaram com as suas equipas seniores, a AAUTAD/Realfut e o Boticas? O que te apraz dizer sobre cada um deles?
LN: Na AAUTAD/REAL FUT, infelizmente, foi um percurso muito curto, tive o azar de uma lesão grave e me senti incapaz de poder ajudar o clube nos objectivos.
Já no GD Boticas, ao contrário do que muitos pensam, acho que eu e o clube ganhamos muito. Tenho amigos para a vida inteira e o clube se tornou naquela altura uma referência com muita ajuda minha, atenção, não fui o único nem muito menos o mais importante, mas tenho uma parcela que me orgulha muito.
FP: Partilhaste, na época 2007-08, o balneário “sagrado” da AAUTAD. Sentes que foi de aprendizagem e de evolução o ano que jogaste na equipa universitária, apesar da lesão que te levou a voltar ao Boticas, pelo qual tinhas sido emprestado para jogar na 1ª Divisão?
LN: Realmente, era um balneário diferenciado, com colegas de trabalho que faziam tudo por gosto e prazer. Por isso era muito fácil a adaptação a um grupo como aquele.
Mas como você disse, a lesão me afastou e voltei para o Boticas.
FP: Seguem-se mais três anos no Boticas, onde conseguiste levar o “teu” clube à 1ª Divisão e mantê-lo por duas épocas consecutivas até à sua desistência. Como foi levar um clube de uma vila do interior norte até ao patamar mais alto da modalidade em Portugal?
LN: Pegando nas suas, pelo “meu clube” foi uma sensação única, talvez a melhor que tive na minha carreira até ao dia de hoje.
Jogar num clube e onde te viu e deu tudo para cresceres, olhar e sentir a felicidade estampada naquelas pessoas que tudo fizeram por ti, como disse anteriormente, um ajudou ao outro e os dois ganharam.
FP: Sais do Boticas e no mesmo ano, passas por dois clubes na mesma época, Belenenses e Fundão. Apesar da mudança a meio da época, sentes que a experiência foi positiva?

LN: Foram duas fases distintas, não consigo explicar, mas deduzo que pelo fato da mudança grandiosa que fiz a nível pessoal e profissional, possa ter influenciado no meu rendimento. Contudo, no Belenenses não encontrei o treinador que esperava que era, como se calhar não viu em mim o jogador que ele achava o que eu era.

Decidi mudar-me para o fundão e foi uma das decisões mais acertadas, pessoas que respiram futsal e acredito que nesse pouco tempo aprendi muito o ser profissional.
FP: Novamente de regresso a Lisboa e a um histórico que fechou portas a época passada, SL Olivais. Que recordações guardas duma equipa que sobreviveu durante muitos anos no futsal nacional e liderada sempre pelo mesmo homem?
LN: Guardo boas lembranças, guardo um plantel fantástico com pessoas fantásticas, mas foi um clube onde a minha escolha prevaleceu o lado pessoal.
FP: Colegios Arenas Gran Canarias foi o teu projeto seguinte. O passo que deste para, opinião pessoal, melhor liga do mundo, foi em busca de afirmação pessoal ou para a profissionalização numa modalidade que em Portugal ainda carece desse pressuposto?
LN: Acho que são os dois. Queria experimentar uma liga daquele nível e por à prova se era capaz ou não de fazer tantos minutos como fiz e faço em quase todas a s equipas que joguei.
A verdade é que no início custou-me ganhar confiança do treinador e depois, a meio da época fiz uma segunda volta muito gratificante a nível pessoal. Anível financeiro era uma realidade totalmente distinta da nossa em Portugal. Eu jogava numa equipa que lutava para não cair e tinha acabado de subir de divisão. Mesmo assim todos eram profissionais, se pelo menos a nossa primeira divisão fosse assim teríamos muito mais jovens talentos.
FP: Seguiram-se outros clubes na tua carreira pós aposta internacional. Foi enriquecedora essa tua passagem pelo Rio Ave?
LN: Teve um início um pouco conturbado devido a vários factores, depois de tudo resolvido foi um ano de muita entrega pessoal e profissional. Terminou da melhor maneira possível. Conseguimos o objectivo pela direcção.
É um clube que tem seu espaço guardado no meu coração.
FP: E agora no ADC Gualtar. Dum ano para o outro, duas realidades distintas. O objetivo é regressar à Liga Sportzone?
LN: Verdade. O primeiro ano no ADC Gualtar foi um ano em que por um ponto descemos de divisão, culpa somente nossa, mas por aquilo que trabalhamos acho que foi injusto, mas como se diz na gíria da modalidade, o futsal é mesmo assim.
Esta época que vamos a meio da primeira volta, de tudo faremos para levar o ADC Gualtar para a Liga Sport Zone novamente, mas nós traçamos o objectivo de ir jogo a jogo e no final fazemos as contas. Estamos numa série onde tem grandes equipas e vai ser disputado até ao final.
FP: Eu como teu amigo e ex-treinador, tenho a certeza que ainda te podes afirmar na Liga Sportzone, pois a tua qualidade técnica e tática são superiores a muitos que andam por lá. E tu, o que mais ambicionas para a tua carreira na modalidade?
LN: Obrigado pelos elogios, mas vindo de ti não vale, Vou resumir, sou um tipo que me dedico a 1000% em tudo o que faço. Acredito que mais cedo ou mais tarde voltarei à Liga Sport Zone.
Eu nunca imaginei chegar a meus trinta e um anos e sentir-me capas de jogar mais dez anos ao mais alto nível… talvez daqui a dois ou três anos, já não me sinta assim!
FP: Tiveste vários técnicos na tua carreira até ao momento. Qual ou quais os que te marcaram mais e porquê?
LN: É difícil dizer nomes, até porque são muitos.
Um jogador aprende sempre qualquer coisa com cada treinador, até mesmo com aqueles que te desiludem como profissional e pessoa.
FP: Sentes que, apesar de brasileiro, já podias ter tido uma oportunidade de ser chamado à Seleção?
LN: Gosto dessa pergunta, acho que a “nossa” Seleção acabou o crer, a fé dos miúdos ou jogadores de enorme qualidade que temos nas nossas ligas nacionais. Eu acho que dei muito mais que muitos jogadores com duplas nacionalidades que passaram por lá, mas não guardo nem rancor nem fico triste. Fico triste sim, por existirem grandes jogadores que, pelo facto de não estarem nos dois grandes, não conseguem nem por o pé na Seleção. Para mim, isso é pior que um jogador com dupla nacionalidade ir à Seleção. Isso de equipa A e B, é areia para os olhos do futuro da nossa modalidade. Essa é apenas a minha opinião.
FP: De todas as equipas que integraste, qual a equipa e o plantel que te marcou mais?
LN: GD Boticas, Rio Ave FC, ADC Gualtar e Colegio Arenas.
FP: Qual foi a tua melhor época desportiva?
LN: Acho que os dois anos com o Boticas na 1.ª Divisão, a época no Rio Ave e em Espanha com Colegio Arenas.
FP: Amigo Lincon, deixas-te algo por dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?
LN: Meu amigo, Parente. Temos sempre o que dizer com o passar do tempo e com aprendizagem….
Como digo aos meus filhos, tudo o que levamos no final é a memória e as amizades… sou muito grato pelas amizades que o futsal me deu. Espero que todos tenham tido ou possam vir a ter a mesma sorte que tenho. Continuação desse grande trabalho e um grande abraço.

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