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Seleccionador dos Camarões e treinador dos franceses, Bastia Agglo
Emigrado desde 1999, inicialmente projectou-se em frança no futebol, mas depois o “bichinho” do futsal voltou a entrar na sua vida em 2006, onde fundou o CL Marsannay onde esteve até 2014/15.

Seguiu-se o Clenay Futsal um clube com nível superior, como adjunto e duas épocas depois chega ao AS Minguettes Venissaus como treinador principal e Diretor desportivo e surge então o convite para ser seleccionador do Camarões que vai acumular com as funções de treinador do Bastia Agglo da principal divisão francesa.
Apesar de estar quase há vinte anos emigrado não esquece os clubes da sua infância e adolescência nem a sua terra natal, fique com a entrevista a mais um português por este mundo fora.
Fernando Parente [FP]: Mister Rui dos Santos, mais um Treinador português de futsal, além-fronteiras. Como nasceu o “bichinho” do Futsal na tua carreira, uma vez que grande parte da tua formação desportiva foi no Futebol de 11?
Rui Santos [RS]: O bichinho do futsal foi mesmo no ciclo de Vila Flor. Andava no quinto ano e continuou no liceu de Vila Flor, como havia campeonato entre escolas, foi mesmo ai.

[FP]: Vilas Boas e Vila Flor, duas equipas pertencentes ao distrital da AF Bragança, fazem parte dessa tua formação. Sei, por conhecimento próprio, que não era fácil singrar-se no futebol de 11, ainda por cima, num campeonato distrital realizado no interior do País, mas o que representam para ti os dois clubes referenciados acima?
[RS]: Sim, não era fácil, mas penso que é isso que nos faz ser mais duros connosco. O Vila flor e o Vilas Boas são dois clubes muito especiais para mim, porque as pessoas que passaram por lá sempre tiveram o maior carinho por mim.

É a minha aldeia, Valtorno, é o meu conselho, Vila Flor. São as minhas raízes e, mesmo estando fora há dezanove anos, mas onde vou sempre que possível.
[FP]: Antes de te tornares mais um emigrante, tiveste de deixar as tuas modalidades de eleição para realizares tropa. Conseguias de alguma forma, durante os três anos em que estiveste nos Rangers de Lamego, jogar em algum lado, ou estiveste mesmo parado?
[RS]: Sim, nesses anos joguei no Vilas Boas, onde fazia um treino por semana. Também me treinava com SC Lamego quando tal era possível.

[FP]: Acabas o contrato em 1999 e segues para França (Dijon) em busca de um sonho. Foi fácil tomar a decisão de deixar tudo para trás e embarcar para o desconhecido?
[RS]: Não foi fácil a transição e sair dos Ranger foi muito complicado. Não é fácil para nós, Rangers, porque somos mais que uma família.

[FP]: Em França continuaste a jogar futebol de 11, mas chega uma altura em que crias uma equipa de futsal, o CL Marsannay. Tendo conhecimento de que o Futsal em França em 2006 ainda não tinha a projecção que tem actualmente, que dificuldades defrontaram para conseguires criar a equipa em questão?
[RS]: As dificuldades em França eram e ainda são mesmo ao mais alto nível, os pavilhões. Como há muitos desportos de pavilhão em França, é por isso um entrave ao desenvolvimento da modalidade.

[FP]: CL Marsannay, foi o clube que representaste mais anos em França, pois após a sua criação, foste treinador do mesmo até à época 2014-15. Quando tomaste consciência de que talvez o “teu” clube fosse pequeno para o teu sonho de seguires carreira no Futsal?
[RS]: O clube de CL Marsannay é um clube ao qual tenho de agradecer muito, foi aí que o bichinho do futsal me mordeu outra vez depois de cinco anos parado. Depois apareceu a oportunidade de Clenay Futsal, a um nível superior, onde tive o apoio de CL Marsannay e ainda estou ligado ao clube pois o meu filho Luva joga nos U18.

[FP]: Seguem-se duas épocas como adjunto no Clenay Futsal. Sentiste que evoluíste nessas duas temporadas, ou o ser treinador principal já estava no teu pensamento?
[RS]: Evolui muito graças ao meu amigo Alberto Arteaga, treinador espanhol, e com as formações com a federação francesa. Temos sempre de sonhar de ir mais longe.

[FP]: Na época passada, 2017-18, dás o salto para o AS Minguettes Venissaus, não só como Treinador principal, mas também como Diretor Desportivo da secção do clube. É normal isso suceder em clubes de segunda linha em frança, uma vez que disputaste a 2ª Divisão francesa?
[RS]: Não, o projecto da AS Minguettes Venisseux era na primeira divisão em França.

[FP]: Como avalias os campeonatos em França? Pelo teu conhecimento o que falta para se dar o “boom” no futsal, tal como aconteceu em Portugal a partir do ano 2001?
[RS]: O campeonato francês está atrasado perante Portugal, Espanha, Itália. Eu penso que, no dia em que a televisão se interessar na modalidade, tudo vai ser melhor a todos os níveis.

[FP]: Estavas num clube de 2ª Divisão e és convidado para ser Selecionador de Futsal nos Camarões. Foi fácil aceitar o convite e acumular as duas funções, se bem que, em países diferentes?
[RS]: Quando o meu amigo Épée Louis Rene me pediu ajuda, não pensei duas vezes. As pessoas dos Camarões são muito boas pessoas.

[FP]: Fala-nos um pouco do projecto que te apresentaram nesse país africano.
[RS]: O projeto nos Camarões tem a ver com a criação de todas as seleções masculinas e femininas e a organização de um campeonato que vai começar em setembro. Trabalho com a Academia Nacional Futebol dos Camarões que vai formar seiscentos jogadores, trezentos meninos e trezentas meninas de doze anos que vão estar na escola. Vão praticar futebol, futebol de praia e futsal e é aí que eu vou trabalhar na Academia. É um grande projecto.

[FP]: Esta época, regressas a França e vais treinar um clube da Córsega, o Bastia Agglo. Que espectativas tens, uma vez que é um novo projecto e na primeira divisão francesa?
[RS]: Sim. Bastia Agglo, onde foi muito bem recebido pela equipa e pelas pessoas de Córsega. São muito boas pessoas, com grandes valores. As expetativas passam por chegar aos play-offs e, talvez, criar uma surpresa. Tenho muita confiança no meu grupo, no meu staff e nas pessoas que estão à frente do clube Bastia Agglo.

[FP]: Amigo Rui, deixas-te algo por dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?
[RS]: Era mais uma mensagem para os jovens, venham de onde vierem em Portugal, quando têm um sonho como eu, basta trabalhar para que se realize e tudo é possível. Obrigado a vocês, também fazem um grande trabalho. Obrigado um grande abraço.

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