Sou um jogador trabalhador, honesto e puro
Daniel Silva pode não dizer muito, mas se for por Danny, já diz alguma coisa, com vinte e três anos de idade chega esta época ao Boavista FC, depois de se ter formado em três clubes maiatos, GCR Ardegão (5 épocas de Escola a Iniciado), tem uma passagem de uma época no GCR Vermoim e termina a sua formação no ASC Monte Pedras durante três épocas, o seu primeiro ano de sénior é no ADCR Junqueira FC, clube que o trata como grande, o segundo ano de sénior não foi tão famoso como o próprio explica na entrevista, segue-se o GDC Cohaemato onde inícia a época mas não a acaba por motivo laborais no estrangeiro e aproveita para jogar em França sem grande sucesso, de regresso a Portugal, Jorge Santos convence-o a jogar no Mocidade Invicta na 1.ª Divisão Distrital, falhando a subida desportiva à Divisão de Honra, agora chega ao Boavista FC após um namoro que já é antigo e o universal espera ter sucesso.

Fernando Parente [FP]: Falar de “Danny” é falar de Futsal e num dos expoentes portugueses mais recentes da modalidade. O que representa para ti a mesma?
Daniel Silva “Danny” [DS]: O futsal é o que me abstrai de tudo o resto que é a vida.  As poucas horas em que me sinto tranquilo, tanto no treino como nos jogos, pois a minha vida profissional é muito à base de stress e correria. Amo o futsal, não pratico nada mais a não ser a nossa modalidade. Dá-nos vida e sabedoria para o dia a dia.
[FP]: Estás ligado, em Portugal, a vários clubes emblemáticos da modalidade, do norte do País. GCR Vermoim, Monte das Pedras, Junqueira, Leões Valboenses, Bom Pastor, Cohaemato, Mocidade Invicta e Boavista. Como encaras este teu percurso?
[DS]: Bem, o Vermoim foi uma curta passagem. Depois saio para o Monte das Pedras onde estive três épocas, onde aprendi o que era o futsal e a competição a sério. O meu primeiro ano de sénior foi no grande Junqueira, ano de sucesso para mim, adorei o clube. Nos Leões e Bom Pastor foi a época do fracasso, pois saí dos Leões ao fim de oito jogos e fui para o Bom Pastor e descemos de divisão. Na época seguinte aparece a cereja no topo do bolo, onde escolhi a Coahemato. Acabei por sair para o estrangeiro por trabalho ao fim de seis jornadas. O Boavista é um namoro antigo onde espero ter sucesso.
[FP]: O Vermoim e o Monte das Pedras, clubes onde te formaste, o que significam para ti?

[DS]:Vermoim: gosto do clube até porque sou sa terra. Quase voltei a vestir a camisola esta época. O Monte das Pedras: amei aquele clube e aquela gente, fizemos o que quase ninguém fez, fiquei triste quando fechou portas aquele humilde clube.
[FP]: Pelos clubes que passaste até ao momento na etapa de sénior, realizaste sempre contratos de uma época. Por tua opção ou dos clubes?

[DS]:Assino sempre por uma, mas também nunca me foi proposto mais do que isso em alguns clubes pelos quais passei.
[FP]: Na época 2012-13, começas a jogar nos Leões Valboenses e depois rumas ao Bom Pastor. Que se passou para trocares uma equipa que competia na extinta 3ª divisão por uma equipa da Divisão Honra da AF Porto?

[DS]:Vários problemas internos. Senti que estava a mais ali, não me identificava com algumas pessoas envolvidas no projeto, pois o jogador é para jogar, o treinador para ser o líder e por ai fora. Para mim dentro do pavilhão é para trabalhar e todos juntos num só objetivo. Quando juntas amizade com trabalho, sem saber até onde podes ir, nunca terás grande sucesso e, a realidade é que está à vista de todos isso.
[FP]: Na época seguinte, 2013-14 assinas pela Cohaemato. O convite que tiveste do Freixieiro na mesma altura não te fez vacilar sobre que clube devias assinar?

[DS]:Sou uma pessoa de caráter e, se eu disse que ficava na Cohaemato, não havia volta a dar. A minha palavra vale milhões, foi isso que aconteceu nesse ano.
[FP]: 2014-2015 fica marcado pelo teu ano negro na modalidade?

[DS]:Sim, saio para a Córsega para trabalhar e acabo parado essa época. Depois vem a época negra no Bastia Centre Futsal.
[FP]: O que podes contar sobre a tua aventura por terras gaulesas, onde ainda chegaste a representar o Bastia?

[DS]:Estar no Bastia Centre foi um extra. Estava com um bom emprego e recebi o convite para ir para lá jogar. Fui, mas durou pouco tempo.
[FP]: O que falhou para que as coisas não tivessem corrido pelo melhor?

[DS]:Muita coisa mesmo, falta de caráter de parte do clube, resumindo. Por vezes, mais vale cair em graça do que ser engraçado. Mas tudo se paga neste mundo, é a lei do “karma”. Quando eu lá estive, estávamos na D2 que é relativa á 2-ª Nacional, hoje????? Nem sei onde eles andam.
[FP]: De todos os teus treinadores, qual aquele que teve até ao momento presente o “melhor” Danny?

[DS]:Jorge Santos, época passada no Mocidade e Ivan Reis nos juniores do Monte das Pedras.
[FP]: Conseguiste aprender e evoluir com eles todos? Quais os que te marcaram mais, em que aspetos e porquê?

[DS]:Aprender????  Com dois ou três confesso que sim, já outros só têm nome e conversa. Quem fez de mim homem e me ensinou a saber estar no futsal tem como nome Ivan Reis, nos juniores do Monte das Pedras. Muito bom treinador e formador de homens para a vida.
[FP]: Quais as principais dificuldades que um jogador de futsal pode ter ao assinar por um clube no estrangeiro?

[DS]:Língua, adaptação e, o mais complicado, o certificado internacional. Eu ainda tenho um hábito de dizer: "onde estiverem dois portugueses, um está a mais", não é em todo lado, mas quase.
[FP]: Voltas a Portugal e assinas pelo Mocidade Invicta. Foi um namoro que deu em casamento na época passada?

[DS]:Sem dúvida. Um namoro que deu uma grande época, com muitas dificuldades, mas uma época brilhante onde o objetivo era a subida de divisão. Não o conseguimos, mas mesmo assim o clube foi convidado para subir numa repescagem e recusou. Fiquei muito triste, magoado com essa decisão, mas por outro lado sei que as pessoas do Mocidade são responsáveis e se recusaram o convite não foi à toa. Saí do Mocidade, mas foi um até já, pois aquele pequeno "grande clube" tem gente 5 estrelas, só nós sabemos o quanto.
[FP]: Segue-se o Boavista, um clube com tradição na modalidade e com outros pergaminhos. Estás pronto para este grande passo?

[DS]:Sim, confiante e convicto do que aí vem. Sou um jogador trabalhador, honesto e puro. Vou trabalhar para ter mais sucesso que na época passada, pois não ando na vida por ver andar os outros. Todos os dias tenho que ser muito melhor, vamos trabalhar e ver o que acontece.
[FP]: E que dizer deste teu novo clube?

[DS]:Não posso dizer muito amigo. Não conheço quase nada da realidade do Bessa, vou conhecer esta época.
[FP]: Amigo Danny, deixas-te algo por dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?

[DS]:Sim, hoje em dia andamos quase todos (divisões inferiores) a jogar por amor à camisola, porque o pouco dinheiro que existe na modalidade é para os mercenários que por aí andam. Mas quem anda cá, de uma maneira ou de outra, que saiba dignificar a camisola que veste, pois se respeitarmos o próximo, estamos a trazer o mesmo para nós.
Desde já, agradecer-te pela entrevista e que continues com o teu trabalho pelo futsal, um muito obrigado. Termino por te desejar muito sucesso na tua nova época desportiva.

 

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