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Dificuldades? Sim, em alguns clubes, a falta de palavra
Igor Eduardo chega a Portugal em 2015/16, por intermédio do Póvoa Futsal C., no entanto, depois seguiu-se o Boavista FC, mas foi por pouco tempo e com quase guia de marcha para o regresso ao Brasil recebe um convite dos distritais alentejanos, mais propriamente do Eléctrico FC de Ponte de Sôr da AF Portalegre onde conquista as três competições (Campeonato; Taça e Supertaça) e a equipa sobe à 2ª Divisão Nacional.

Esta época ainda assinou pelos portalegrenses mas actualmente joga nos aveirenses do GCR Ossela da 2ª Divisão Nacional, na Série C na 2ª Fase do Campeonato de Manutenção e Descida. Fique com a entrevista de Fernando Parente ao atleta brasileiro e fique a conhecer mais um pouco mais Igor Eduardo.
Fernando Parente [FP]: Igor, chegas a Portugal em 2015 rotulado de craque por tudo o que já tinhas conquistado anteriormente no Brasil, mas segues para um clube, na altura, com alguma expressão no futsal nacional. Sentiste que o Póvoa Futsal seria a tua rampa de lançamento para um clube de outra dimensão no nosso País?
Igor Eduardo [IE]: Sim. Depois de algumas conversas, o projeto que me foi apresentado, pensava que ia ser uma grande oportunidade de jogar a Liga Sport Zone.

[FP]: Fizeste a tua estreia pela equipa sénior do Bom Pastor Juiz de Fora de Minas Gerais no Brasil com dezassete anos. Pensavas tu na altura que num espaço de sete anos a tua vida profissional mudasse tanto a nível de clubes?
[IE]: Não imaginava. Mas sempre trabalhei para estar nos melhores projetos, e no Brasil fui facilmente reconhecido.

[FP]: Disputaste no Brasil diferentes campeonatos. Qual o mais difícil de se jogar?
[IE]: Todos que disputei foram campeonatos onde havia muitas equipas competitivas e jogadores com muita qualidade. Isso é uma coisa que no Brasil há de muito bom. Mas, sem dúvida, a Liga Nacional foi a mais competitiva e dura de se jogar... pois há muitos jogadores com altíssima qualidade técnica e principalmente tática.

[FP]: Vir para a Europa jogar era um sonho ou um objetivo?
[IE]: Sim, era um sonho que eu tinha. E também da grande maioria dos jogadores que há no Brasil.

[FP]: Sentes que a vinda para Portugal foi uma aposta ganha?
[IE]: Só mesmo o tempo irá dizer, mas tenho trabalhado para que venha valer a pena.

[FP]: Quais as diferenças que encontras entre o Futsal praticado no Brasil com o praticado em Portugal?
[IE]: O futsal praticado no Brasil é como um jogo de xadrez muito estudado, pensado. Detalhes definem uma partida. Em Portugal é também um jogo muito tático, mas também muito físico, de muito contato.

[FP]: Das sete equipas representadas no Brasil antes de embarcares para Portugal, qual a mais representativa?
[IE]: Tive oportunidades de atuar em grandes clubes onde levavam um escudo de muito respeito como o São Paulo FC Suzano, e Fluminense FC Imperial Futsal. Mas de todas o Fluminense me marcou muito.

[FP]: E dos títulos conquistados lá, qual aquele que não esqueces?
[IE]: Sem dúvida a Taça Brasil de clubes.

[FP]: Estás em Portugal quase há três anos e, nestes três anos já representaste quatro clubes, contando com o Ossela, o atual. Quais as dificuldades sentidas para não permaneceres mais do que um ano em cada clube?
[IE]: Depois que se consegue ter uma mentalidade profissional, você começa a entender o que te acrescenta e o que não seja na vida pessoal ou profissional. Mas, a maior dificuldade foi por motivos burocráticos.

[FP]: Chegaste na época 2015-16 para representares o Póvoa Futsal que tinha aspirações à subida. Era esse o projeto apresentado na altura?
[IE]: Certamente. A aposta e projeto do clube naquela época era retornar a Liga Sport Zone.

[FP]: No final da época sair e vais para o Boavista. Sentias que representar um clube de nomeada em Portugal seria a tua grande oportunidade para seres visto e poderes dar o salto para a Liga Sport Zone?
[IE]: Desde que cheguei e conheci a história do clube, me envolvi, e foi um sonho realizado! Mas também acreditava que fosse possível chegar à melhor liga do País. Pois sabia que estava num dos clubes que foi campeão da supertaça e disputou títulos com os melhores. Tanto que recebi algumas propostas de clubes da liga Sport Zone, mas novamente a questão da burocracia me atrapalhou.

[FP]: A aventura demorou pouco tempo, pois em Dezembro de 2016, devido a problemas burocráticos, vês-te na iminência de sair e apostas num clube da distrital para poderes continuar a jogar e em Portugal. O Elétrico de Ponte de Sôr foi uma boa aposta?
[IE]: Sem dúvida, estava certo de que voltaria ao meu País. Mas então apareceu esta proposta, que na altura foi muito boa e finalmente tinha um clube com capacidade para tratar da minha legalização no país e eu aceitei o desafio. Mas no fim acabou por me convencer que não.

[FP]: Ajudaste o clube a conquistar o “triplete” da AF Portalegre (Campeonato, Taça e Supertaça). Se o clube subiu à 2ª Divisão, porque decidiste não continuar?
[IE]: O projecto do clube mudou, entraram novas pessoas na estrutura com outra visão e não houve possibilidade de continuar.

[FP]: Mais uma vez, dás um pulo enorme no que concerne às regiões do nosso País. Vens do Alentejo para o Litoral Norte. Sentes que o GCR Ossela foi definitivamente a aposta certa para dares o salto, ou é um projeto de futuro, de continuidade? 
[IE]: Posso dizer que o Ossela acaba por ser mais do que um clube, uma família mesmo. Gosto de estar aqui, de morar aqui, gosto das pessoas e da freguesia. Isso dá confiança para trabalhar, espero ajudar o clube nesta reta final. Enquanto eu aqui estiver sempre vou procurar dar o meu melhor dentro ou fora do campo.
[FP]: Qual foi para ti o melhor treinador que tiveste até ao momento?
[IE]: É muito difícil responder a essa pergunta, pois tive grandes treinadores. Mas posso dizer que no Brasil tenho dois: Henrique Biaggi, atualmente no Tupi Futsal, foi ele que me lançou para o futsal. E outro, Paulo Mussalem que treinou e foi campeão em equipas como Carlos Barbosa e Atlântico Erechim. Em Portugal foi o mister João Marinho do Boavista.

[FP]: Na tua carreira de jogador passaste alguma vez por dificuldades em alguns clubes? De que tipo?
[IE]: Sim, em alguns clubes, a falta de palavra.

[FP]: Neste momento, e depois da conquista do Europeu de Futsal pela Seleção Portuguesa, como é, para um jogador estrangeiro, ouvir dizer numa entrevista o Presidente da FPF que o Plano Estratégico para o Futsal em relação à Seleção passava pela aposta no jogador português e não pela naturalização dos jogadores estrangeiros, como a maioria das seleções da Europa fazem?
[IE]: É relativo, tem os dois lados da moeda. 

[FP]: Ossela, 2ª Divisão Nacional, Série C. Tu, como jogador, o que achas do modelo competitivo da divisão onde jogas? 
[IE]: Não concordo muito com tantas equipas a disputar a mesma divisão, o que acaba por baixar o nível da competição porque há muitas descidas e subidas e equipas que sobem sem qualquer competitividade para se manter na divisão.
[FP]: Se continuares por cá e adquirires a dupla nacionalidade, a Seleção será um objetivo, ou não passará de uma miragem?
[IE]: Meus objetivos não passam por ir à seleção. Mas primeiramente conquistar o meu espaço.

[FP]: Amigo Igor, deixas-te algo por dizer que não tenhas referido nas questões anteriores?
[IE]: Não, e desde já agradeço pela oportunidade. Admiro o vosso trabalho, a divulgar a modalidade pela qual somos apaixonados. Votos de muito sucesso! Abraço a todos.

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