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A 2ª Divisão Nacional está colocada perante cenários competitivos muito díspares
Passamos a entrevista na íntegra de Nuno Silva, treinador da equipa sénior do ADCR Caxinas que deu à página oficial do clube no facebook.

Face à importância da mesma e dos assuntos que na entrevista foram abordados, achamos que seria de interesse futsalista a publicação da mesma no nosso portal, ao qual fomos devidamente autorizados.

Que balanço nos faz desta temporada?
O balanço da época terá de ser necessariamente positivo. Desportivamente a equipa voltou a demonstrar organização e competência, sendo objetivamente uma das equipas mais capazes da 2ª divisão e que demonstrou em todos os jogos personalidade e qualidade de jogo. Em termos competitivos a primeira fase foi de encontro aos nossos objetivos e, tenho de destacar o facto de pelo segundo ano consecutivo termos ganho uma série muito competitiva e com muitas equipas de qualidade. Na segunda fase tivemos alguns jogos em que não fomos capazes de vencer e que poderiam ter-nos projetado para estarmos a disputar os primeiros lugares de forma mais clara. No entanto, a equipa foi sempre muito competitiva e dignificou o clube em todos os jogos.

Que análise faz, em termos globais ao Campeonato Nacional da 2.ª Divisão, dos seus quadros competitivos e o que acha que deveria ser alterado?
A 2ª Divisão Nacional está colocada perante cenários competitivos muito díspares e tem perante si uma tarefa praticamente impossível: projetar e preparar equipas para a Liga Sportzone ao mesmo tempo que acomoda e cria condições para que equipas vindas dos Campeonatos Distritais possam competir de forma clara com equipas há vários anos nos Campeonatos Nacionais. Nesse sentido penso que o quadro competitivo poderia ser ajustado de forma a permitir que haja mais jogos de nível qualitativo semelhante tendo em conta as equipas em disputa. Pensando unicamente em aumentar a qualidade competitiva das equipas a longo prazo, a minha sugestão seria a manutenção das seis séries de dez equipas que disputariam uma primeira fase a uma volta em que os quatro primeiros classificados de cada série (três a Norte e três a Sul) iriam disputar o apuramento de campeão num Campeonato a duas voltas com doze equipas. O campeão de cada Série subiria à Liga Sportzone. As restantes equipas iriam dividir-se em quatro séries de nove equipas (duas a Norte e duas a Sul) que a duas voltas iriam decidir as equipas que desceriam de divisão – quatro equipas de cada série mais os dois piores quintos classificados.

Desta forma teríamos um maior número de jogos com equipas de nível semelhante, o que iria aumentar a qualidade e preparação das equipas mais capazes, enquanto permitia mais espaço de progressão às equipas que lutariam pela manutenção. Todos os objetivos – Subida de Divisão e Manutenção seriam decididos num maior número de jogos do que acontece atualmente e num espaço temporal mais significativo, aumentando assim a “justiça” de quem atinge os objetivos. O número de jogos seria semelhante ao que existe atualmente, não havendo portanto inconvenientes quanto ao calendário competitivo. Tendo como referência esta época que agora termina, das vinte e quatro equipas que terminaram nos quatro primeiros lugares de cada série, vinte e dois já o estavam no final da primeira volta, ou seja 92% das equipas mantiveram o seu posicionamento para esse possível apuramento logo na primeira volta. Parece-me também que se questionassem qualquer equipa se pretende decidir a manutenção em sete ou dezasseis jogos, escolheriam a segunda opção (até porque em muitos casos a perda de 50% dos pontos equilibra algo que durante meses não foi equilibrado). 
Caso não haja nenhuma reformulação dos quadros competitivos parece-me que este quadro ficaria mais interessante se existisse uma eliminatória entre o segundo classificado (Norte e Sul) da fase de apuramento de campeão com os dois piores classificados da Liga Sportzone a não descerem de divisão diretamente (11º e 12º classificado). Para além deste aspeto, penso que o número de equipas vindas do distrital deveria ser mais equilibrado em cada série, pois este ano existiram séries com seis equipas vindas dos Campeonatos Distritais, enquanto a Série B, por exemplo, só tinha uma equipa. Como os clubes competem indiretamente entre séries (para apuramento dos dois primeiros classificados) esta questão deveria ser ponderada. Dezoito campeões distritais – três campeões em cada série e teríamos um modelo mais “justo”.
Estas ideias – principalmente a reformulação do quadro competitivo – tem somente como objetivo o aumento da qualidade de jogo de todas as equipas que compõem a 2ª Divisão Nacional e o aumento do número de jogos equilibrados tendo em vista o crescimento de todos os agentes desportivos.
Pelo terceiro ano consecutivo a sua equipa consegue o apuramento para a fase de subida, discutindo a subida de divisão com os mais fortes candidatos. O que falta para subirmos de divisão?
A segunda fase tem características próprias que limitam, muitas vezes, a capacidade das equipas discutirem a subida de divisão até ao final. Estamos a falar de um campeonato bastante curto e que esta época teve uma equipa que dominou em absoluto – Viseu 2001 – e que foi um justo vencedor. O Viseu fez vinte e oito em trinta pontos, um recorde e portanto a tarefa de qualquer equipa subir de divisão seria muito complicada. Este ano não conseguimos ter um início de segunda fase tão forte como desejaríamos e ficamos logo condicionados nas nossas possibilidades. Conseguimos ser competitivos em todos os jogos, mas não fomos capazes de traduzir em pontos a qualidade de jogo em momentos chave e esse facto foi determinante para o lugar que ocupamos no final do campeonato. Tivemos organização, mas faltou em alguns momentos a consciência que somos tão bons como os melhores e que tínhamos a possibilidade de disputar a subida até ao fim.

Para subirmos de divisão teremos de ser mais fortes e consistentes e quando chegarem os jogos decisivos assumirmos sem receios a nossa qualidade e acreditar no trabalho que fazemos, pois esse aspeto será determinante. No entanto, não posso deixar de referir o quanto estou orgulhoso do trabalho realizado pelos jogadores ao longo da época toda, não só nos jogos, mas também nos treinos e na evolução que tivemos. Sem dúvida nenhuma temos de estar contentes com o trabalho realizado, mas olhando para a frente e percebendo que podemos fazer melhor. Orgulhos do que somos e fizemos mas Ambiciosos no que queremos ser e fazer…
O Nuno foi durante muitos anos um treinador que representava outro clube de formação, o que nos pode dizer sobre esta hegemonia do Caxinas a nível distrital sendo também uma das maiores referências a nível nacional?
O Caxinas sempre foi, reconhecidamente, uma referência a nível distrital e nacional no que concerne à formação de jogadores, nomeadamente à capacidade que estes têm de conhecer o jogo e estarem aptos para competir em todos os níveis competitivos. A hegemonia do Caxinas é assente na qualidade, trabalho e valorização dos recursos humanos que compõem o clube. Por recursos humanos entenda-se diretores, treinadores e jogadores. A base do clube é a organização do mesmo estar assente em pessoas que se dedicam de forma dedicada ao mesmo e possuem um conhecimento alargado das suas funções, nomeadamente a Sílvia nos aspetos logísticos e organizativos, o Raúl na coordenação de todo o trabalho técnico e todos os treinadores e diretores que trabalham para que os jogadores tenham todas as condições para evoluir ainda mais. Obviamente que os jogadores têm qualidade, mas acima de tudo, são organizados em campo, sabem o que têm de fazer e por isso destacam-se das demais equipas. Falando somente em termos de talento puro, há equipas de formação, distritais e nacionais, que possuem mais do que as do Caxinas, mas a diferença está nos conteúdos e conhecimentos que são passados aos jogadores para que estes possam ser sucedidos em campo. 

Parece-me que o Caxinas tem mostrado que a aposta só pode ser na valorização dos treinadores de qualidade, que permitam ensinar e passar conteúdos bem estruturados ao longo do processo de formação aos atletas para que estes possam ser competitivos em todos os momentos do jogo. Talento organizado e pensado de forma coletiva será melhor do que Maior Talento descontextualizado.
Aquilo que o Caxinas tem conseguido fazer, tenha-se como exemplo esta época em que venceram todos os campeonatos distritais em que participou e a ida às meias-finais nos campeonatos Sub-17 e Sub-20, só pode deixar todos orgulhosos do trajeto e principalmente a evolução e valorização dos jogadores do clube. Acredito que o clube tem todas as condições para continuar este percurso, sabendo que cada vez mais a nível nacional é exigido maior capacidade, projetando os jogadores através da qualidade do jogo, da personalidade e atitude competitiva muito própria do nosso clube.
Que ambição para a próxima época?
Todos os anos o objetivo e a ambição só poderão ser fazer melhor do que no ano anterior. Sabemos que a fasquia está colocada num patamar bastante alto (três anos consecutivos a ir à segunda fase de apuramento de campeão), mas temos consciência que também possuímos condições para continuar a almejar esse desiderato. 

Esta época que agora termina fica marcada pela saída de jogadores que foram muito importantes nos últimos anos para o clube. Como treinador só posso agradecer o facto de ter tido a possibilidade de ter trabalhado com jogadores de nível tão elevado, dentro e fora do campo. Alguns atletas só estiveram este ano connosco, mas mostraram qualidade e valor, mas não posso deixar de destacar o contributo do Fonseca e do Jorge nos últimos anos e, especialmente do Paulo Duarte. O Paulo foi exemplar no seu comportamento e postura e certamente irá deixar saudades, mas também foi em excelente exemplo do que é um atleta de Futsal. 
Estas saídas irão alterar a dinâmica e características da equipa, mas vamos construir uma nova identidade, mantendo como alicerces a organização, personalidade e capacidade de trabalho que sempre nos caracterizaram e caracterizarão.
A aposta nos atletas da nossa formação será reforçada, esperando que estes percebam e aproveitem esta oportunidade para evoluírem e acima de tudo ajudarem a equipa a atingir os seus objetivos. A qualidade dos jogadores é evidente e aumentando a sua atitude competitiva / consistência irão certamente ser importantes ao longo de toda a época desportiva.
Acredito que teremos uma equipa equilibrada no que diz respeito à maturidade / equilíbrio e irreverência, com valores coletivos inabaláveis e todas as possibilidades de fazermos mais uma época de grande qualidade e que deixe todos orgulhosos.
Como nota final quero deixar uma palavra de agradecimento aos responsáveis do clube, Sílvia e Raúl por darem-nos condições para trabalharmos com qualidade; ao Nani e Carlos pelo apoio logístico que prestam de forma abnegada para que nada falte aos atletas; ao Sr. Santos por ser não só o massagista disponível e atento, mas também o psicólogo e motivador de todo o grupo; à minha equipa técnica Berto, Feitais e Sara por todo o apoio que deram, pelo empenho que colocaram nas tarefas mas principalmente pela qualidade do trabalho que realizaram e, por fim, aos jogadores por todo o seu empenho, compromisso e qualidade ao longo de toda a época. Acredito que o clube tem recursos humanos (diretores, treinadores e jogadores) de nível qualitativo elevado e são os principais responsáveis pelos sucessos que a equipa tem tido.

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