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A covardia e o empurrar com a barriga para a frente
Antes de tudo tenho de fazer aqui uma declaração de interesses, eu sou pai de um árbitro de futsal, mas muito antes de ele ser árbitro, eu Artur Moreira, já estava nesta função há mais de quinze anos, razão pela qual é suficiente para que não restem dúvidas sobre as minhas posições, porque muito antes de ele se decidir por esta actividade, as minhas intervenções foram sempre em defesa da classe da arbitragem, apesar de por vezes ter efectuado declarações e criticar algumas actuações dos mesmos em campo.

Feita a declaração de interesse, para que não restassem dúvidas, vou direto ao assunto que me levou ou leva a escrever algumas palavras, que é a falta de policiamento nos espectáculos desportivos nomeadamente dos distritais e a que nos diz respeito no futsal e das deliberações que foram aprovadas na Assembleia Geral Extraordinária da AF Porto.
Como é sabido o Comando Distrital do Porto da Polícia de Segurança Pública, tem vindo a indeferir desde o início do mês de fevereiro, vários pedidos de policiamento a jogo dos escalões de Júnior “B” e inferiores e a partir de março os indeferimentos abrangerão os juniores “A” e seniores.
Como é sabido também a grande maioria dos clubes já utilizavam a figura do Delegado de Apoio até aos juniores “B”, mas alguns clubes, apesar do custo continuavam a solicitar e bem o policiamento que era assegurado.
Perante tal situação os clubes e Associação de Futebol do Porto reuniram-se em Assembleia Geral Extraordinária no passado dia treze de fevereiro e deliberaram diversas acções que concordo mas há uma que não é aceitável e muito menos coloca-la preto no branco, que é transferir para os árbitros o ónus de se realizar ou não o jogo.
Desculpem as minhas palavras, mas isto é do mais covarde que pode haver numa situação onde os árbitros são os mais prejudicados por não haver uma força policial num espectáculo desportivo.
Então os árbitros passam agora a ter o ónus de uma decisão de efectuar um jogo sem policiamento?
Porque razão, colocam nos árbitros essa decisão?
Porque razão, os clubes não assumem as decisões?
Porque empurram com a barriga para a frente, quando essa decisão cabe exclusivamente aos clubes?
A decisão é simples de ser tomada… não há policiamento? Parem os campeonatos, onde está a verdade desportiva quando transportam para os árbitros a decisão de haver jogo ou não?
Como dirigente desportivo sentia-me envergonhado de subescrever este artigo:
Ponto 4: Até estabilização desta situação apresentar delegados aos jogos APENAS COMO APOIO, deixando ao critério dos árbitros a avaliação das condições de segurança para a realização dos mesmos.
Ou seja, até agora os delegados de apoio serviam nos jogos de escalões inferiores para o proteger em caso de alguma intercalação, o árbitro, mas o que os clubes pretendem é que essa figura passe a ser apenas uma figura decorativa, ou seja “estamos aqui, mas se houver alguma coisa onde coloque a sua integridade física em causa, está por sua conta e risco”, ou seja procuram ilibar o clube de qualquer falha de segurança ou agressão ao árbitro. Assim aconteceu no passado fim-de-semana num jogo infantil, onde os delegados informaram a árbitra dessa pretensão e a mesma não realizou o jogo.

Para que não restem dúvidas eu sou a favor do policiamento efectuado por uma força policial em todos os jogos e concordo que não tenham de ser os clubes a segurar essa segurança.
Mas vejamos o que diz o ponto 4 à letra, o Árbitro aceita fazer o jogo nas condições que o clube apresenta, com os delegados decorativos e nesse jogo o árbitro é agredido, tanto clube como Associação lavam as mãos como Pilatos… A decisão foi do árbitro em fazer o jogo e não deles, agora que assuma as responsabilidades e consequências. É isto que diz o ponto 4 da deliberação aprovada na Assembleia Geral Extraordinária.
Os clubes estão a passar para os árbitros a decisão de parar ou não os campeonatos, pois acredito que a maioria dos jogos não se irão realizar, mas por favor, assumam as vossas responsabilidades e PAREM OS CAMPEONATOS ATÉ A ESTABILIZAÇÃO DA SITUAÇÃO, pois considero inaceitável que se coloque na mão de uma pessoa, uma decisão que pertence a todos.

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